| |
O
conhecimento sobre gagueira apresentado pelos pais de crianças
gagas: senso comum*
Taís Ciboto; Ana Maria
Schiefer
RESUMO Diante de conhecimentos científicos tão díspares
a respeito da gagueira, neste trabalho buscamos investigar que tipo
de informações os pais de crianças diagnosticadas
como gagas tinham a respeito desta patologia e o quanto estas informações
estão próximas do senso comum ou do conhecimento científico.
Para tanto, selecionamos 15 sujeitos acompanhantes de crianças de 7
a 12 anos de idade, que foram submetidas à avaliação fonoaudiológica
e diagnosticadas como portadoras de gagueira, no Ambulatório dos Distúrbios
da Comunicação Humana da UNIFESP, no período de fevereiro
a novembro de 2000.
Recolhemos inúmeras impressões de pais de crianças com
gagueira e, a partir destes relatos espontâneos elaboramos um questionário
(em anexo) com 12 perguntas, sendo 9 com respostas fechadas (sim ou não)
e 3 abertas (dissertativas), que se fundamentaram no conhecimento de senso
comum sobre gagueira.
A partir da análise dos resultados obtidos durante a execução
deste trabalho, podemos concluir que:
- a maior parte dos acompanhantes de crianças de 7 a 12 anos de idade,
que foram submetidas à avaliação fonoaudiológica
e diagnosticadas como portadoras de gagueira, no Ambulatório dos Distúrbios
da Comunicação Humana da UNIFESP, no período de fevereiro
a novembro de 2000, foram do sexo feminino, com idade entre 31 a 40 anos e
que exerciam ocupações manuais especializadas, semi- especializada
e não especializada ou cargos de rotina não manuais;
- houve um predomínio de respostas ligadas ao conhecimento do senso
comum sobre gagueira, uma vez que a maioria dos entrevistados não tem
dúvida em afirmar que seu filho é gago, mesmo antes de ter conhecimento
do diagnóstico real, consideram que a gagueira pode ser um comportamento
aprendido através de imitação, acham que o nervosismo
não é a causa da gagueira, mas pode piorá-la, afirmam
que a gagueira não é uma doença, mas tem cura; acham que
a gagueira não é um problema herdado geneticamente e que não
pode afetar a inteligência de seus filhos e que o problema de fala apresentado
pela criança não acontece por culpa dos pais. Referiram ainda
que, em alguns casos a gagueira pode ser desencadeada por fatores ambientais,
físicos ou psicológicos e que seus filhos sofrem preconceito
devido a gagueira.
Diante disso, vemos a importância e a necessidade real de que o fonoaudiólogo
seja um agente transmissor do conhecimento científico que possui a respeito
da gagueira a fim de tirar desta patologia a imagem socialmente negativa que
carrega, quebrando os mitos e orientando sobre as informações
de senso comum que tanto prejudicam o gago e seus familiares.
INTRODUÇÃO
A gagueira é uma desordem da fluência da fala que possui
muitas definições e pouco consenso na literatura há muitos
anos. Barbosa & Chiari (1998) constataram que o estudo dos distúrbios
da fluência da fala parece não atrair a atenção
da maioria dos fonoaudiólogos. Apesar do grande número
de autores estrangeiros que se dedicam a investigar a gagueira, esse
campo é ainda pouco explorado pelos pesquisadores brasileiros.
Além disso, há um preconceito contra a gagueira e o indivíduo “gago”,
que surge do tecido social e impregna o conhecimento do senso comum,
gerado a partir do padrão coletivo do comportamento. Tal preconceito
não está preso apenas a uma visão distorcida sobre
este distúrbio de fala, mas, objetivamente, a peculiaridades
do corpo de conhecimento hoje existentes sobre gagueira, em que nem
sempre é possível discriminar entre o que é influência
da informação científica daquela do senso comum.
Muitos já a estudaram, mas muitas perguntas ainda estão sem resposta.
O que causa a gagueira ? Como ela ocorre no cérebro do indivíduo
? Que tipo de alterações provoca em seu comportamento ? As respostas
para essas perguntas são diversas, mas nenhuma é categórica.
A definição de gagueira fornecida pela Organização
Mundial de Saúde (1977) e comentada por Andrews, Craig, Feyer, Haddinott,
Neilson & Howie (1983) é a seguinte: “Distúrbios no
ritmo da fala, nos quais o indivíduo sabe precisamente o que deseja
dizer, porém, ao mesmo tempo é incapaz de dizê-lo, devido
a um prolongamento involuntário repetitivo ou a cessação
de um som.”
Wingate (1978) considerou a gagueira como um “defeito de transição
fonética”.
Bloodstein (1981) afirmou que gagueira é aquilo que é percebido
por um observador confiável e que possui relativa concordância
com outros.
Homzie & Lindsay (1984) demonstraram em suas descobertas sinais que indicam
uma base orgânica para a gagueira.
Boone & Plante (1994) afirmaram que a gagueira é a repetição
e o prolongamento involuntários de sons e sílabas que o indivíduo
se esforça para eliminar.
O DSM – IV (1995) define a gagueira como um transtorno da comunicação
cuja característica principal é a perturbação na
fluência e no padrão temporal normais da fala inapropriada para
a idade do indivíduo.
Schiefer (1999) considerou a gagueira como um distúrbio da fluência
da fala, muito complexo, que afeta pessoas independentemente da idade, sexo,
cultura e raça. É de difícil definição,
mas a maioria dos ouvintes sabe quando alguém está gaguejando.
Diante de conhecimentos científicos tão díspares, neste
trabalho buscamos investigar que tipo de informações os pais
de crianças diagnosticadas como gagas tinham a respeito desta patologia
e o quanto estas informações estão próximas do
senso comum ou do conhecimento científico.
LITERATURA Apresentaremos a seguir um breve resumo da literatura relacionada
ao tema desta pesquisa. Os autores são apresentados em ordem
cronológica.
Hutchinson (1960) analisou a distribuição das ocupações
da população da cidade de São Paulo em seis categorias
que variavam de ocupações manuais mais simples e não
especializadas até profissões liberais e altos cargos
administrativos.
Brutten & Shoemaker (1967) observaram que os gagos tornam-se apreensivos
quanto a gaguejar em determinadas situações particulares
e a apreensão intensifica a estimulação do sistema
nervoso autônomo, resultando numa ruptura da fluência.
Wingate (1978) considerou a gagueira como um “defeito de transição
fonética”, caracterizada por repetições
e prolongamentos silenciosos ou audíveis. Estas características
refletem uma incapacidade temporária de passar para o som seguinte.
Bloodstein (1981) afirmou que gagueira é aquilo que é percebido
por um observador confiável e que possui relativa concordância
com outros.
Andrews et al. (1983) comentaram a definição de gagueira
fornecida pela Organização Mundial de Saúde (1977),
entendendo gagueira como “distúrbios no ritmo da fala,
nos quais o indivíduo sabe precisamente o que deseja dizer,
porém, ao mesmo tempo é incapaz de dizê-lo, devido
a um prolongamento involuntário repetitivo ou a cessação
de um som.”
Cox, Seider & Kidd (1984) pesquisaram o relacionamento entre o
fator genético da gagueira e alguns fatores ambientais. Analisaram
um grupo de gagos e suas famílias e não observaram diferenças
significantes quanto ao nível de ansiedade e das atitudes familiares
investigados neste indivíduos. Concluíram que estes aspectos
não contribuem causalmente para o desenvolvimento da gagueira.
Homzie & Lindsay (1984) observaram que a relação entre homens
e mulheres com gagueira é aproximadamente de 3,4:1; a incidência
na população em geral é de mais ou menos 1%; a porcentagem
dos que apresentam gagueira temporária é de 4 a 5%; a idade de
início é de 18 meses a 2 anos e 95% dos gagos começam
a apresentar problemas de comunicação até os 7 anos; 4
de cada 5 gagos recupera-se na puberdade; a incidência de gagueira nas
famílias de gagos é muito maior do que na população
em geral. As implicações destas descobertas parecem conduzir
inevitavelmente a uma base orgânica para a gagueira.
Jakubovicz (1986) observou que o autoconceito do ser humano é resultante
das reações e avaliações das pessoas que têm
um papel importante na nossa vida como: parentes, amigos, pais, colegas, empregados,
patrões, etc. Muito do comportamento gago é baseado nesta avaliação.
Se os pais reagem às disfluências do filho com ansiedade e rejeição,
a criança vai desenvolver comportamento de luta e de evitamento, indicando
que ela aceitou o julgamento.
Barbosa (1991) investigou a manifestação do preconceito contra
a gagueira e o indivíduo gago em estudantes de Fonoaudiologia, através
de sua concordância ou não com o enunciado de 13 afirmações
a respeito do assunto. Concluiu que o preconceito social contra a gagueira
e o indivíduo gago também se manifesta em estudantes de Fonoaudiologia,
independente do grau de informação que possuam sobre a gagueira,
por basear-se no conhecimento de senso comum.
Schiefer, Chiari & Barbosa (1992) afirmaram que os pais possuem muitas
expectativas em relação ao desenvolvimento e crescimento dos
filhos. Algumas delas relacionadas a como seus filhos irão falar projetivamente
em idade escolar, não aceitando possíveis quebras do ritmo da
fala como inerentes ao processo de desenvolvimento. Alguns pais aparentemente
não percebem estes tropeços normais na fala de seus filhos, enquanto
que outros reagem significativamente. Uma vez que essas quebras no ritmo da
fala sejam rotuladas como gagueira, a criança procurará superá-las
esforçando-se para agradar aos pais. As reações emocionais
evocadas por essa situação, somadas ao esforço para falar
melhor, poderão interferir na sua condição motora da fala,
ocasionando alterações tônicas e respiratórias,
que favorecem o aparecimento dos bloqueios, repetições, hesitações
e prolongamentos.
Ambrose, Yairi & Cox (1993) estudaram o componente genético na gagueira
por meio da história familiar positiva de gagueira, principalmente em
homens. Verificaram ainda que a ocorrência da gagueira foi consideravelmente
maior em parentes de 1º grau, quando comparados com familiares de 2º ou
3º grau.
Boone & Plante (1994) afirmaram que a fala dos gagos, com freqüência
caracteriza-se por mudanças de duração e alterações
de velocidade e ritmo, com interrupções freqüentes de fluência
suave entre um som e outro.
O DSM – IV (1995) definiu a gagueira como um transtorno da comunicação
cuja característica principal é a perturbação na
fluência e no padrão temporal normais da fala inapropriada para
a idade do indivíduo.
Andrade (1997) afirmou que a gagueira, em termos epidemiológicos, tem
o seguinte perfil: é uma patologia encontrada em todas as culturas e
línguas; é mais freqüente em homens que em mulheres, numa
razão mais coerentemente aceita de 3,5/1; sua taxa de ocorrência
na população é de 4%; sua distribuição por
idade de surgimento é de 27% até os três anos de idade,
68% entre três e sete anos e 5% acima dos sete anos. Quanto à hereditariedade,
podem ser destacados os seguintes pontos: inerência de uma predisposição
fenotípica; predominância no sexo masculino; predominância
nos filhos dos extremos, mais velho (40%) e mais novo (36%); a porcentagem
de indivíduos gagos com histórico familiar positivo varia de
autor para autor (de 23,3 a 68, 6%); se o antecedente estiver na família
imediata (pais, irmãos – 51%) a probabilidade é maior,
se estiver na família estendida (tios, primos, avós – 30%;
ou em parentes distantes que se ouve falar – 19%) a probabilidade é decrescente,
mas bastante significativa; se o antecedente for um irmão gêmeo,
a probabilidade é muito alta (77%).
Barbosa & Chiari (1998) constataram que o estudo dos distúrbios
da fluência da fala parece não atrair a atenção
da maioria dos fonoaudiólogos. Apesar do grande número de autores
estrangeiros que se dedicam a investigar a gagueira, esse campo é ainda
pouco explorado pelos pesquisadores brasileiros. Além disso, há um
preconceito contra a gagueira e o indivíduo “gago”, que
surge do tecido social e impregna o conhecimento do senso comum, gerado a partir
do padrão coletivo do comportamento. Tal preconceito não está preso
apenas a uma visão distorcida sobre este distúrbio de fala, mas,
objetivamente, a peculiaridades do corpo de conhecimento hoje existentes sobre
gagueira, em que nem sempre é possível discriminar entre o que é influência
da informação científica daquela do senso comum.
Schiefer (1999) considerou a gagueira como um distúrbio da fluência
da fala, muito complexo, que afeta pessoas independentemente da idade, sexo,
cultura e raça. É de difícil definição,
mas a maioria dos ouvintes sabe quando alguém está gaguejando.
Schiefer, Barbosa & Pereira (1999) consideraram que, do ponto de vista
motor, a gagueira é vista basicamente como uma desordem motora da fala,
que se caracteriza por interrupções no fluxo da mesma, as quais
se manifestam principalmente através dos sinais lingüísticos:
repetições, prolongamentos e bloqueios. A quantidade de quebras
na fala parece estar relacionada principalmente com a capacidade da produção
da fala. Por outro lado, embora a gagueira possa ser compreendida essencialmente
através dos comportamentos motores da fala, é importante reconhecer
que uma variedade de fatores, principalmente os lingüísticos, parecem
estar envolvidos desde o início da desordem, no seu desenvolvimento
e na sua manutenção.
MATERIAL E MÉTODO Este trabalho foi realizado com familiares de indivíduos que
apresentavam gagueira como queixa principal, com o objetivo de verificar
o nível de conhecimento que estes sujeitos tinham a respeito
desta patologia.
Para tanto, selecionamos 15 sujeitos acompanhantes de crianças de 7
a 12 anos de idade, que foram submetidas à avaliação fonoaudiológica
e diagnosticadas como portadoras de gagueira, no Ambulatório dos Distúrbios
da Comunicação Humana da UNIFESP, no período de fevereiro
a novembro de 2000.
Recolhemos inúmeras impressões de pais de crianças com
gagueira e, a partir destes relatos espontâneos elaboramos um questionário
(em anexo) com 12 perguntas, sendo 9 com respostas fechadas (sim ou não)
e 3 abertas (dissertativas), que se fundamentaram no conhecimento de senso
comum sobre gagueira.
A aplicação do questionário foi realizada individualmente
com os acompanhantes, pais e outros familiares das crianças submetidas à avaliação
fonoaudiológica, durante a 1ª sessão deste processo.
Todas as instruções sobre o questionário foram fornecidas
e suas respostas coletadas pela mesma avaliadora.
Os sujeitos foram informados de que deveriam responder às questões
de acordo com o que julgassem mais adequado, interessando-nos sua opinião
pessoal sobre o assunto.
Visto que este trabalho foi realizado com familiares de crianças diagnosticadas
como gagas e que nem todos os entrevistados eram alfabetizados, para maior
confiabilidade dos dados, a própria avaliadora anotou as respostas obtidas,
lendo-as em seguida aos sujeitos, para checar a exatidão do material
colhido.
Os parâmetros profissão e grau de escolaridade dos indivíduos
entrevistados, foram utilizados por fornecer indicadores do nível sócio-econômico
da amostra, conforme recomendado por Hutchinson (1960).
O número de sujeitos utilizado neste estudo não permitiu uma
análise estatística específica por sexo ou faixa etária.
A seguir apresentaremos a distribuição dos indivíduos
amostrados segundo o sexo e a faixa etária. Tabela 1. Distribuição dos indivíduos
entrevistados segundo sexo e idade.
Faixa etária |
Masculino |
Feminino |
Total |
(em anos) |
N |
% |
N |
% |
N |
% |
20 à 30 |
1 |
6,7 |
2 |
13,3 |
3 |
20,0 |
31 à 40 |
0 |
0 |
8 |
53,3 |
8 |
53,3 |
41 à 50 |
0 |
0 |
2 |
13,3 |
2 |
13,3 |
Acima de 50 |
1 |
6,7 |
1 |
6,7 |
2
|
13,3 |
Total |
2 |
13,3 |
13 |
86,7
|
15 |
100,0 |
RESULTADOS Apresentaremos a seguir os principais achados desta pesquisa.
Tabela
2. Caracterização da amostra segundo o nível
de escolaridade dos entrevistados e sexo.
Escolaridade
|
Fundamental
|
Médio
|
Superiorl
|
Total |
| Sexo |
N
|
%
|
N
|
%
|
N
|
%
|
N |
% |
| Masculino |
2 |
13,3 |
0 |
0 |
0 |
0 |
2 |
13,3 |
| Feminino |
10 |
66,7 |
3 |
20,0 |
0 |
0 |
13 |
86,7 |
Total
|
12 |
80,0
|
3 |
20,0 |
0 |
0 |
15 |
100 |
Tabela 3. Caracterização da amostra segundo a profissão
exercida e o sexo.
Escolaridade
|
Fundamental
|
Médio
|
Superiorl
|
Total |
| Sexo |
N
|
%
|
N
|
%
|
N
|
%
|
N |
% |
| Masculino |
0 |
0 |
0 |
0 |
2 |
13,3 |
2 |
13,3 |
| Feminino |
0 |
0 |
3 |
20,0 |
10 |
66,7 |
13 |
86,7 |
Total
|
0 |
0 |
3 |
20,0 |
12 |
80,0 |
15 |
100 |
Legenda:
A – Profissões Liberais
B – Cargos: gerências e direções
C – Altas posições; supervisão; ocupações
não manuais
D – Posições ais baixas de supervisão;
inspeção e ocupações não manuais
E – Ocupações manuais especializadas; cargos
de rotina não manuais
F – Ocupações manuais semi- especializada e não
especializada
Tabela 4. Caracterização das respostas
obtidas na aplicação do questionário fechado.
Perg. |
1 |
2 |
3 |
4 |
5 |
6 |
7 |
8 |
9 |
Resp. |
N |
% |
N |
% |
N |
% |
N
|
%
|
N
|
%
|
N
|
%
|
N
|
%
|
N
|
%
|
N
|
%
|
Sim |
14 |
93,3 |
6 |
40 |
9 |
60 |
5 |
33,3 |
14 |
93,3 |
4 |
26,7 |
5 |
26,7 |
5 |
33,3 |
15 |
100 |
Não |
1 |
6,7 |
9 |
60 |
6 |
40 |
10 |
66,7 |
1 |
6,7 |
11 |
73,3 |
10 |
73,3 |
10 |
66,7 |
0 |
0 |
Tabela 5. Caracterização
das respostas obtidas na aplicação do questionário
aberto.
Pergunta 1 – Por que você acha que seu filho é gago
?
Porque tem probl. de fala
|
Porque tem probl. psicol.
|
Total
|
N
|
%
|
N |
% |
N |
% |
| 13 |
86,6
|
2 |
13,3 |
15 |
100 |
Pergunta 2 – Você relaciona o início da gagueira
de seu filho a algum fato especial ? Qual ?
Sim
|
Não
|
Total
|
N |
% |
N |
% |
N |
% |
5 |
33,3
|
10 |
66,7 |
15 |
100 |
Dos que responderam afirmativamente,
os fatos desencadeantes da gagueira estão ligados a:
Causas ambientais |
Causas físicas |
Causas psicológicas |
Total |
N |
% |
N |
% |
N |
% |
N |
% |
3 |
60,0
|
1 |
20,00 |
1 |
20,0 |
5 |
100 |
Pergunta 3 – Como você acha
que os outros vêem o seu filho ?
C/ probl. psicol. |
C/ probl. de fala |
C/ preconceito |
Outras respostas |
Total |
N |
% |
N |
% |
N |
% |
N |
% |
N |
% |
3 |
20,0 |
3 |
20,0 |
4 |
26,7 |
5 |
33,3 |
15 |
100 |
COMENTÁRIOS
Apresentaremos a seguir a análise dos resultados obtidos
a partir do estudo do questionário aplicado a 15 sujeitos
acompanhantes de crianças de 7 a 12 anos e 11 meses de idade,
que apresentavam gagueira como queixa principal.
Antes da apresentação dos resultados propriamente ditos, julgamos
válido tecer algumas considerações com relação à caracterização
da amostra e das variáveis estudadas.
Nas tabelas 1, 2 e 3, verificamos que 13 (86,7%) dos indivíduos entrevistados
eram do sexo feminino, mães e avós, havendo uma maior concentração
de sujeitos, 8 (53,3%) na faixa etária de 31 a 40 anos de idade.
Quanto ao nível de instrução, a grande maioria, 12 (80%)
dos entrevistados possui o ensino fundamental, completo ou não, como
escolaridade.
Quanto as profissões exercidas pelos sujeitos amostrados, observamos
maior ocorrência, 12 (80%) de indivíduos tendo como ocupação,
atividades manuais especializadas, semi-especializadas ou não especializadas
e cargos de rotina não manuais (Hutchinson, 1960).
Na análise do questionário fechado em conjunto, observamos que
90 a 100% dos entrevistados demonstrou concordância com o enunciado das
questões 1 – Você acha que seu filho é gago ? (Sim:
14 – 93,3%), 6 – Você acha que o nervosismo piora a gagueira
? (Sim: 14 – 93,3%) e 9 – Você acha que a gagueira tem cura
? (Sim: 15 – 100%).
Já nas questões 5 – Você acha que o nervosismo é a
causa da gagueira ?, 7 – Você acha que a gagueira das crianças
acontece por culpa dos pais ? e 8 – Você acha que gagueira é uma
doença ?, vemos uma tendência maior às respostas negativas,
visto que 65 a 75 % dos entrevistados negaram estas perguntas.
Na questão 3 – Você acha que se uma criança tiver
muito contato com uma criança gaga, ela também ficará gaga
?, vemos uma leve tendência às repostas positivas, 60% dos entrevistados
responderam sim e 40% responderam não.
Nas questões 2 – Você acha que a gagueira afeta a inteligência
do seu filho ? e 4 – Você acha que a gagueira é um problema
de família ?, observamos que, ao contrário da pergunta anterior,
a maior parte dos entrevistados, 60%, respondeu negativamente, enquanto 40%
considerou estas questões verdadeiras.
Analisando cada questão separadamente, observamos que quando perguntamos
aos pais se achavam que seu filho era gago – pergunta 1, 14 (93,3) deles
respondem afirmativamente. Jakubovicz (1986) observou que o autoconceito do
ser humano é resultante das reações e avaliações
das pessoas que têm um papel importante na nossa vida como: parentes,
amigos, pais, colegas, empregados, patrões, etc. Muito do comportamento
gago é baseado nesta avaliação. Se os pais reagem às
disfluências do filho com ansiedade e rejeição, a criança
vai desenvolver comportamento de luta e de evitamento, indicando que ela aceitou
o julgamento.
Bloodstein (1981) afirmou que gagueira é aquilo que é percebido
por um observador confiável e que possui relativa concordância
com outros. Schiefer (1999) considerou a gagueira como um distúrbio
da fluência da fala, muito complexo e de difícil definição,
mas a maioria dos ouvintes sabe quando alguém está gaguejando.
Quando questionamos se a gagueira afetaria a inteligência da criança,
9 (60%) dos pais acreditaram que não, enquanto que 6 (40%) consideraram
que a gagueira pode interferir de alguma na inteligência de seus filhos.
Homzie & Lindsay (1984) afirmaram que tradicionalmente, observou-se que
os gagos têm um desempenho intelectual equivalente ou levemente inferior
ao de falantes normais.
Ao perguntarmos aos pais se uma criança que tenha muito contato com
um adulto que gagueja conseqüentemente começará a apresentar
este problema de fala também, obtivemos 9 (60%) das respostas positivas,
ou seja, os pais consideraram a gagueira como um comportamento aprendido. A
definição de gagueira fornecida pela Organização
Mundial de Saúde (1977) e comentada por Andrews et al. (1983) é a
seguinte: “Distúrbios no ritmo da fala, nos quais o indivíduo
sabe precisamente o que deseja dizer, porém, ao mesmo tempo é incapaz
de dizê-lo, devido a um prolongamento involuntário repetitivo
ou a cessação de um som.” Como ressaltam Boone & Plante
(1994), nesta definição observamos o importante qualificador
da gagueira como “involuntária”.
Perguntamos também aos pais se a gagueira seria um problema de origem
familiar, geneticamente herdado e a maioria, 9 (60%), não considerou
esta hipótese como verdadeira. Ambrose et al. (1993) estudaram o componente
genético na gagueira por meio da história familiar positiva de
gagueira, principalmente em homens. Verificaram ainda que a ocorrência
da gagueira foi consideravelmente maior em parentes de 1º grau, quando
comparados com familiares de 2º ou 3º grau.
Quando questionamos se o nervosismo seria a causa da gagueira, 10 (66,7%) entrevistados
responderam negativamente, mas, em contrapartida, 14 (93,3%) acreditaram ser
o nervosismo um fator de piora para a gagueira. Brutten & Shoemaker (1967)
observaram que os gagos tornam-se apreensivos quanto a gaguejar em determinadas
situações particulares e a apreensão intensifica a estimulação
do sistema nervoso autônomo, resultando numa ruptura da fluência.
Eles acreditavam ainda que o cerne da gagueira fosse um aumento de estresse
em antecipação à gagueira. Mais recentemente, Bloodstein
(1981) afirmou que os problemas psicológicos dos gagos são reativos
a sua gagueira e não sua causa.
Perguntamos também se a gagueira manifesta pelas crianças poderia
acontecer por culpa dos pais. A maioria dos entrevistados, 11 (73,3%), considerou
que não. Cox et al. (1984) pesquisaram o relacionamento entre o fator
genético da gagueira e alguns fatores ambientais. Analisaram um grupo
de gagos e suas famílias e não observaram diferenças significantes
quanto ao nível de ansiedade e das atitudes familiares investigados
nestes indivíduos. Concluíram que estes aspectos não contribuem
causalmente para o desenvolvimento da gagueira.
Na amostra estudada, 9 (66,7%) sujeitos consideraram que a gagueira não
seria uma doença, mas, apesar disso, 15 (100%) deles, acreditaram que
este problema tem cura. Schiefer (1999) afirmou que a gagueira é uma
doença fonoaudiológica caracterizada por interrupções
na fala do indivíduo do tipo repetições, prolongamentos
e bloqueios involuntários de sons e sílabas. Boone & Plante
(1994) consideraram que aproximadamente 80% de todas as crianças que
se relatou que gaguejaram, não mais o fazem após a puberdade
(com ou sem terapia). Entretanto, ressaltam a importância de que a modificação
direta dos sintomas seja reservada principalmente para os 20% remanescentes.
Na análise do questionário aberto, observamos na pergunta 1 – “Por
que você acha que seu filho é gago ?” - que 13 (86,6%) dos
sujeitos entrevistados, não tiveram dúvidas em afirmar que os
filhos eram gagos porque tinham problemas na fala. Schiefer et al. (1992) afirmaram
que os pais possuem muitas expectativas em relação ao desenvolvimento
e crescimento dos filhos. Algumas delas relacionadas a como seus filhos irão
falar projetivamente em idade escolar, não aceitando possíveis
quebras do ritmo da fala como inerentes ao processo de desenvolvimento.
Alguns pais aparentemente não percebem estes tropeços normais
na fala de seus filhos, enquanto que outros reagem significativamente. Uma
vez que essas quebras no ritmo da fala sejam rotuladas como gagueira, a criança
procurará superá-las esforçando-se para agradar aos pais.
As reações emocionais evocadas por essa situação,
somadas ao esforço para falar melhor, poderão interferir na sua
condição motora da fala, ocasionando alterações
tônicas e respiratórias, que favorecem o aparecimento dos bloqueios,
repetições, hesitações e prolongamentos.
Na 2ª pergunta, “Você relaciona o início da gagueira
de seu filho a algum fato especial ? Qual ?”, a maioria dos entrevistados,
10 (66,7%), não faziam esta relação e referiam que o filho
havia apresentado os primeiros sinais de gagueira logo que começou a
falar. Dos que mencionaram que houve um fato especial que marcou o início
da gagueira de seu filho, 3 (60%) apontaram causas ambientais (imitação
de personagem gago da novela, ingresso na escola, etc.) como fatores desencadeantes
da gagueira, 1 (20%) referiu uma causa física (a gagueira começou
depois que a criança teve um episódio de otite média secretora)
e 1 relacionou o início da gagueira a uma causa psicológica (começou
a gaguejar porque sentia muito a ausência do pai). Andrade (1997) afirmou
que a gagueira, em termos epidemiológicos, tem o seguinte perfil: é uma
patologia encontrada em todas as culturas e línguas; é mais freqüente
em homens que em mulheres, numa razão mais coerentemente aceita de 3,5/1;
sua taxa de ocorrência na população é de 4% e sua
distribuição por idade de surgimento é de 27% até os
três anos de idade, 68% entre três e sete anos e 5% acima dos sete
anos. Homzie & Lindsay (1984) observaram que as implicações
de descobertas como estas parecem conduzir inevitavelmente a uma base orgânica
para a gagueira.
Por fim, perguntamos aos pais, como achavam que os outros viam seus filhos.
As respostas foram bastante variadas, mas percebemos que 3 (20%) acreditavam
que as pessoas viam seu filho como uma criança com problemas psicológicos;
3 (20%) consideravam que os outros observavam primeiramente os problemas de
fala do filho; 4 (26,6%), relataram que os outros tinham preconceito em relação
a seu filho, sendo este sempre motivo de gozação entre os colegas
e 5 (33,3), emitiram respostas diversas que não puderam ser agrupadas,
como: “Os outros vêem meu filho como uma criança decidida,
como uma criança mais velha, como uma criança travessa, etc.).
Barbosa & Chiari (1998) constataram que há um preconceito contra
a gagueira e o indivíduo “gago”, que surge do tecido social
e impregna o conhecimento do senso comum, gerado a partir do padrão
coletivo do comportamento. Tal preconceito não está preso apenas
a uma visão distorcida sobre este distúrbio de fala, mas, objetivamente,
a peculiaridades do corpo de conhecimento hoje existentes sobre gagueira, em
que nem sempre é possível discriminar entre o que é influência
da informação científica daquela do senso comum. Barbosa
(1991) investigou a manifestação do preconceito contra a gagueira
e o indivíduo gago em estudantes de Fonoaudiologia, através de
sua concordância ou não com o enunciado de 13 afirmações
a respeito do assunto. Concluiu que o preconceito social contra a gagueira
e o indivíduo gago também se manifesta em estudantes de Fonoaudiologia,
independente do grau de informação que possuam sobre a gagueira,
por basear-se no conhecimento de senso comum.
CONCLUSÃO
A partir da análise dos resultados obtidos durante a execução
deste trabalho, podemos concluir que:
- a maior parte dos acompanhantes de crianças de 7 a 12 anos
de idade, que foram submetidas à avaliação fonoaudiológica
e diagnosticadas como portadoras de gagueira, no Ambulatório
dos Distúrbios da Comunicação Humana da UNIFESP,
no período de fevereiro a novembro de 2000, foram do sexo
feminino, com idade entre 31 a 40 anos e que exercem ocupações
manuais especializadas, semi- especializada e não especializada
ou cargos de rotina não manuais.
- houve um predomínio de respostas ligadas ao conhecimento
do senso comum sobre gagueira, uma vez que a maioria dos entrevistados
não tem dúvida em afirmar que seu filho é gago
porque tem um problema na fala, mesmo antes de ter conhecimento do
diagnóstico real, consideram que a gagueira pode ser um comportamento
aprendido através de imitação, acham que o nervosismo
não é a causa da gagueira, mas pode piorá-la,
afirmam que a gagueira não é uma doença, mas
tem cura; acham que a gagueira não é um problema herdado
geneticamente e que não pode afetar a inteligência de
seus filhos e que o problema de fala apresentado pela criança
não acontece por culpa dos pais. Referiram ainda que, em alguns
casos a gagueira pode ser desencadeada por fatores ambientais, físicos
ou psicológicos e que seus filhos sofrem preconceito devido
a gagueira.
Assim, vemos a importância e a necessidade real de que o fonoaudiólogo
seja um agente transmissor do conhecimento científico que
possui a respeito da gagueira a fim de tirar desta patologia a imagem
socialmente negativa que carrega, quebrando os mitos e orientando
sobre as informações de senso comum que tanto prejudicam
o gago e seus familiares.
Referências Bibliográficas
AMBROSE, N. G.; YAIRI, E. & COX, N. Genetic aspects of early
of childhood stuttering. J. Speech Hear. Res., 36: 701-6, 1993.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION: DSM-IV – Manual diagnóstico
e estatístico de transtornos mentais. 4ª ed. Porto Alegre,
Artes Médicas, 1995. 830p.
ANDRADE, C. R. F. Intervenção precoce em Fonoaudiologia.
In: BEFI, D. Fonoaudiologia na Atenção Primária à Saúde.
(Série Atualidades em Fonoaudiologia; n.º 3). São
Paulo, Lovise, 1997.
ANDREWS, G.; CRAIG, A.; FEYER, A.; HADDINOTT, S.; NEILSON, M.; & HOWIE,
P. (1983). In: BOONE, D. R. & PLANTE, E. Comunicação
Humana e seus Distúrbios. 2ª ed. Porto Alegre, Artes
Médicas, 1994.
BARBOSA, L. M. G. Gagueira: a manifestação do preconceito
em estudantes de Fonoaudiologia. São Paulo, 1991. [Monografia
apresentada à Escola Paulista de Medicina].
BARBOSA, L. M. G. & CHIARI, B. M. Gagueira: etiologia, prevenção
e tratamento. Carapicuíba, Pró-Fono, 1998. 98p.
BLOODSTEIN, O. (1981) IN: BOONE, D. R. & PLANTE, E. Comunicação
Humana e seus Distúrbios. 2ª ed. Porto Alegre, Artes
Médicas, 1994.
BOONE, D. R. & PLANTE, E. Comunicação Humana e
seus Distúrbios. 2ª ed. Porto Alegre, Artes Médicas,
1994. 402p.
BRUTTEN, E. J. & SHOEMAKER, D. J. (1967) IN: BOONE, D. R. & PLANTE,
E. Comunicação Humana e seus Distúrbios. 2ª ed.
Porto Alegre, Artes Médicas, 1994.
COX, N. J.; SEIDER, R. A. & KIDD, K. K. Some environmental factor
and hypotheses for stuttering in families with several stutterers.
J. Speech Hear. Res., 27: 543-8, 1984.
HOMZIE, M. J. & LINDSAY, J. S. Language and the young stutterer:
a new look at old theories and findings. Brain Lang., 22: 232-52,
1984.
HUTCHINSON, B. Mobilidade e trabalho: um estudo na cidade de São
Paulo. Rio de Janeiro, Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais,
1960. 451p.
JAKUBOVICZ, R. A gagueira: teoria e tratamento de adultos e crianças.
3ª ed. Rio de Janeiro, Antares, 1986. 205p.
SCHIEFER, A. M. Gagueira: caracterização das disfluências
e possíveis correlações com a audição
e outros aspectos da fala. São Paulo, 1999. [Tese de Doutorado – Universidade
Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina].
SCHIEFER, A. M.; BARBOSA, L. M. G. & PEREIRA, L. D. Considerações
preliminares entre uma possível correlação entre
uma possível correlação entre gagueira e os
aspectos lingüísticos e auditivos. Pró-Fono, 11:
27-31, 1999.
SCHIEFER, A. M.; CHIARI, B. M. & BARBOSA, L. M. G. Orientação
aos Pais: uma proposta de atuação preventiva na fala
de crianças disfluentes. Pró-Fono, 4: 03-06, 1992.
WINGATE, M. E. (1978). IN: BOONE, D. R. & PLANTE, E. Comunicação
Humana e seus Distúrbios. 2ª ed. Porto Alegre, Artes
Médicas, 1994.
ANEXO
Questionário
Fechado:
1. Você acha que seu filho é gago ?
( ) Sim ( ) Não
2. Você acha que a gagueira afeta a inteligência
de seu filho ?
( ) Sim ( ) Não
3. Você acha que se uma criança tiver muito contato
com uma pessoa gaga, ela ficará gaga ?
( ) Sim ( ) Não
4. Você acha que a gagueira é um problema de família
?
( ) Sim ( ) Não
5. Você acha que o nervosismo é a causa da gagueira
?
( ) Sim ( ) Não
6. Você acha que o nervosismo piora a gagueira ?
( ) Sim ( ) Não
7. Você acha que a gagueira das crianças é culpa
dos pais ?
( ) Sim ( ) Não
8. Você acha que a gagueira é uma doença
?
( ) Sim ( ) Não
9. Você acha que a gagueira tem cura ?
( ) Sim ( ) Não
Questionário Aberto:
1. Por que você acha que seu filho é gago ?
2. Você relaciona a gagueira a algum fato especial ? Qual
?
3. Como você acha que os outros vêem o seu filho ?
1 - Taís
Ciboto
Fonoaudióloga, graduada pela Universidade Federal de São Paulo/Escola
Paulista de Medicina e pesquisadora associada ao Departamento de Otorrinolaringologia
e Distúrbios da Comunicação Humana – UNIFESP/EPM.
2
- Profª. Dra. Ana Maria Schiefer
Professora Adjunto da Disciplina dos Distúrbios da Comunicação
Humana do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios
da Comunicação Humana da Universidade Federal de São
Paulo/Escola Paulista de Medicina.
* Artigo publicado na Revista
Fono Atual, São Paulo, v. 4, n.
16, p. 31-38, 2001.
|
|