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O fonoaudiólogo é o profissional da saúde especializado
no diagnóstico e no tratamento de crianças e adultos,
que apresentam problemas na comunicação oral ou escrita.
Quais são os “Problemas na Comunicação” mais
comuns?
Distúrbios da Comunicação são problemas
que dificultam ou impedem a comunicação normal de um
indivíduo com os outros.
Esses problemas podem ser:
1) dificuldades na produção dos sons da fala;
2) problemas de voz;
3) problemas para respirar, mastigar e engolir;
4) distúrbios de linguagem oral;
5) dificuldade em leitura e escrita;
6) gagueira ou dificuldade em controlar a velocidade da
fala (muito rápida
ou muito lenta);
7) problemas de audição (perda auditiva e desordem
de processamento
auditivo).
Quando devo procurar um fonoaudiólogo
?
Como é o tratamento
fonoaudiológico?
1) Problemas na fala:
Os problemas de comunicação relacionados à fala
são mais facilmente observáveis do que qualquer outro.
As principais dificuldades apresentadas na produção dos
sons da fala são:
- trocas de fonemas (diz tachorro para cachorro)
- omissões articulatórias (diz sovete ao invés
de sorvete)
- distorções fonêmicas (os sons são produzidos,
mas não de forma nítida, como o /s/ com a língua
entre os dentes).
Aos 5 anos espera-se que a criança já tenha adquirido
todos os fonemas necessários para manter uma conversação
normal.
Espera-se também que, nesta idade, a criança já tenha
abandonado há algum tempo a sucção da chupeta,
da mamadeira e do dedo e que já esteja se alimentando basicamente
de produtos sólidos.
Quando a criança fala algo errado, não se deve repetir
a palavra incorreta para depois falar a certa, mas apenas apresentar
o padrão correto. Este procedimento impede que a criança
se confunda.
As trocas apresentas na fala podem ou não ser transpostas para a escrita.
Porém, sabemos que quanto antes o tratamento fonoaudiológico
for iniciado, menos chances correremos de ter uma criança com um distúrbio
de escrita.
É importante esclarecer, também, que não existem
pessoas mudas. Todos nós podemos nos comunicar, seja através
da fala, da escrita, de gestos, desenhos, símbolos visuais,
entre outros.
2) Problemas na voz
Os problemas de voz são freqüentemente encontrados em todos
os tipos de população, independentemente de sexo e faixa
etária.
Nas crianças em idade escolar, encontramos principalmente meninos
com alteração de voz, geralmente rouquidão. Isso
acontece, porque são os meninos que se envolvem em brincadeiras
agitadas, onde o grito é fundamental (futebol, lutas, competições,
etc.). Assim, desenvolvem disfonias, ou seja, disfunções
vocais, por abuso ou mau uso da voz. Por isso, é importante
conscientizar a criança da importância da voz para a comunicação
e dos transtornos que a falta dela pode causar. É importante
também que pais e professores dêem o exemplo, evitando
assim, gritar em casa e na sala de aula. Para manter a atenção
e a ordem na classe podem ser usados recursos alternativos, como um
apito, palmas, gestos indicativos, etc.
Entretanto, há crianças que apresentam rouquidão
muito antes da idade escolar. Quando bebê, elas já choravam
rouco e ainda hoje sua voz é diferente das demais crianças.
Neste caso, a disfonia pode ser causada por uma alteração
vocal congênita, ou seja, a criança pode ter um problema
nas pregas vocais desde que nasceu.
Em ambas as circunstâncias (alterações congênitas
ou adquiridas), há possibilidade de tratamento, desde que a
criança já tenha capacidade de entender e executar os
exercícios necessários para a reabilitação.
Nos adultos, os problemas de voz, basicamente também tem a mesma
origem: ou são congênitos ou adquiridos. Contudo, quanto
mais o tempo passa, mais nos expomos através de nossa fala e,
consequentemente, “gastamos” mais nossa voz.
Muitas vezes, até por desconhecimento, deixamos de seguir algumas
medidas simples, que poderiam prevenir ou melhorar possíveis
alterações de voz. Beber 2 litros de água por
dia, evitar alimentos gelados e ambientes com ar condicionado e acostumar-se
a comer maçã, são regras de ouro para nossa voz,
mas são práticas freqüentemente esquecidas. Sem
contar o cigarro, as bebidas alcoólicas, as drogas, o café em
demasia, que também são muito prejudiciais à qualidade
de nossa voz.
Atualmente, são inúmeras as profissões que se
utilizam da voz como instrumento de trabalho. São professores,
cantores, atores, radialistas, operadores de telemarketing, vendedores,
padres, pastores, secretárias e muitos outros. Para estes, é fundamental
ter uma voz agradável e saudável, a fim de manter seu
emprego e sua saúde.
As alterações de voz são também problemas de saúde.
Se algo em sua voz não vai bem, se você sente falta de ar, dificuldade
para falar, dores de garganta freqüentes, pigarro, tosse, a voz não
sai ou desaparece de repente, procure o auxílio de um médico
otorrinolaringologista para realizar um exame de suas pregas vocais e a orientação
de um fonoaudiólogo para a realização de um tratamento
adequado e seguro.
Cuide de sua voz, pois só nos damos conta de sua importância quando
a perdemos.... 3) Problemas para respirar, mastigar e engolir
Muitas crianças (e adultos também!) parecem estar o tempo
todo no mundo da lua. Ficam parados, de boca aberta, olhando para o
nada...
Uma pessoa que respira pela boca e, portanto, precisa ficar de boca
aberta o dia inteiro, tem seu tempo de atenção mais reduzido
pela própria quantidade de ar insuficiente que consegue respirar.
Além disso, quem dorme de boca aberta, tem uma péssima
noite de sono e, consequentemente, um dia que se arrasta, sem pique,
nem disposição.
Como se não bastasse, alguém que não consegue
ficar de boca fechada para respirar, também não irá conseguir
se alimentar normalmente, pois sua musculatura da boca vai se tornando
flácida. Assim, o ato de mastigar torna-se cansativo e o indivíduo
mastiga pouco e prefere alimentos mais moles, para que sejam engolidos
com mais facilidade. No ato da deglutição, a pessoa também
não consegue manter a boca fechada, nem a língua na posição
correta para realizar esta atividade.
Uma pessoa que tenha estas características, deverá ser
submetida rapidamente a uma avaliação otorrinolaringológica
e fonoaudiológica, porque esta aparente distração,
pode esconder um problema sério.
4) Problemas de linguagem oral
As alterações de linguagem encontradas na infância
geralmente estão relacionadas a um atraso no desenvolvimento
global da criança. Nestes casos, verificamos que a criança
demora mais para começar a falar, fala pouco, apresenta um vocabulário
reduzido e constrói frases curtas e simples. Este quadro pode
estar ligado também a doenças neurológicas e psiquiátricas.
Nos adultos, os problemas de linguagem oral podem estar relacionados
a doenças como afasias, demências e problemas degenerativos
que fazem com que o indivíduo perca suas capacidades comunicativas.
5) Dificuldade de leitura e escrita
Algumas crianças têm muita dificuldade para aprender a
se comunicar por meio da leitura e da escrita.
Os problemas relacionados à linguagem escrita, como leitura
lenta e sem compreensão do material lido, trocas de sons na
leitura e de letras na escrita e dificuldade em elaborar textos escritos,
também são tratados pelo fonoaudiólogo.
6) Gagueira
A gagueira é um distúrbio da comunicação
humana caracterizado por uma interrupção no fluxo normal
da fala. Sua origem é orgânica e pode ou não haver
um fator psicológico agravando a situação. O indivíduo,
em geral, já nasce gago e manifesta esta gagueira em alguma
etapa de sua vida, geralmente na infância. Esta dificuldade de
comunicação pode diminuir espontaneamente com o tempo,
ou, como é mais freqüente, se agravar a medida que a criança
cresce. Isso acontece porque, conforme os anos vão passando,
a criança passa a ter mais responsabilidades e atividades sociais.
Seu ambiente de convívio que antes era só a casa e a
família, passa a englobar também a escola, a professora,
os amigos, os funcionários da escola, etc.
Por isso, faz-se necessário um atendimento fonoaudiológico
o mais rápido possível, a fim de evitar que a criança
sofra constrangimentos maiores ao longo do tempo.
7) Problemas auditivos
Uma criança que não ouve bem poderá ser mais agitada
do que as outras, ter dificuldades para ser alfabetizada ou apresentar
alterações de fala, devido as suas próprias limitações.
Como perde parte das informações, distrai-se mais facilmente,
não capta os sons que diferenciam as letras e conseqüentemente
não as pronuncia de forma adequada.
Outro problema bastante comum ligado à audição, são
as alterações do processamento auditivo. Processamento auditivo é a
maneira como nosso cérebro processa as informações que
nos chegam através da audição. É aquilo que fazemos
com o que ouvimos. Assim, uma criança com alterações auditivas
pode:
- ser desatenta,
- ser distraída,
- ser bagunceira ou muito quieta,
- ter a letra feia,
- ser desorganizada,
- apresentar trocas na fala e na escrita,
- ter dificuldade para entender piada, ironia e mensagens de duplo sentido,
- não conseguir acompanhar uma conversa com muitas pessoas falando ao
mesmo tempo, ou conversa em ambiente ruidoso,
- não atender prontamente quando chamada, precisar ser chamada várias
vezes ou ficar perguntando sempre “Ãh ? O quê ?”,
- atrapalhar-se ao contar uma história ou dar um recado,
- não compreender o que lê,
- ter dificuldade de memória e de relacionamento com crianças
da mesma faixa etária.
É importante lembrar que disfunção do processamento auditivo
não é surdez. A pessoa pode ter audição normal e,
ao mesmo tempo, apresentar dificuldade para compreender bem o que é falado.
Dessa forma, se tiver alguma dúvida quanto à sua audição,
procure a orientação de um fonoaudiólogo.
Quando devo procurar
um fonoaudiólogo
?
Há muitas formas de distúrbios da comunicação,
variando de bebês que demoram para aprender a falar, até pessoas
idosas que perdem habilidades de linguagem por causa de uma demência.
Os distúrbios da comunicação podem afetar nossa capacidade
de ouvir, prestar atenção e entender o que os outros dizem; podem
afetar a voz que utilizamos quando falamos; podem prejudicar a maneira como
organizamos nossa fala e como produzimos os sons que falamos; ou podem ainda
interferir em nosso modo de respirar, mastigar e engolir.
Quando você notar que um ou mais problemas como estes estão
acontecendo, é hora de procurar a orientação de
um fonoaudiólogo.
Como é o tratamento fonoaudiológico?
Inicialmente, realiza-se uma avaliação fonoaudiológica
completa, com o objetivo de investigar não apenas a natureza
da queixa trazida pelo paciente, mas todas as demais habilidades envolvidas
no processo comunicativo desta pessoa. Na avaliação,
o fonoaudiólogo analisa a história de vida do paciente
e aplica provas específicas para a idade e as condições
de cada pessoa. Ao final da avaliação (que em geral demora
de uma a cinco sessões), realiza-se a devolutiva, explicando-se
ao paciente e/ou seus responsáveis sobre as dificuldades encontradas
e a melhor conduta terapêutica a ser seguida. A partir deste
momento, inicia-se a terapia, buscando-se auxiliar o paciente a perceber
suas dificuldades e suplantá-las da melhor forma possível.
As sessões fonoaudiológicas têm duração,
em média de 45 minutos e costumam acontecer semanalmente ou
duas vezes por semana.
A duração do tratamento depende do tipo e do grau da
alteração detectada na avaliação fonoaudiológica,
variando, geralmente, de 3 meses a 1 ano de terapia.
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